• RSS Feed
  • Facebook
  • Twitter
em@ail

Com o intuito de construir um aparelho de transporte executivo capaz de melhores performances, a Marcel Dassault associada à Sud-Aviation desenvolveram o projecto de um avião bimotor a reacção que viria a ser o primeiro aparelho desse tipo de concepção francesa.
A construção do primeiro protótipo do Mystère 20 teve início em Janeiro de 1962. Este realizou o seu primeiro voo a 4 de Maio de 1963. Nesse mesmo dia, uma delegação da Pan American que se deslocara a Mérignac em busca de um aparelho que equipasse a sua nova Business Jets Division  e que incluía o famoso aviador Charles Lindberg, conclui que haviam encontrado o que procuravam.
Em 9 de Junho de 1965 era concedida a certificação oficial para transporte aéreo e, já no dia seguinte, foi obtido num destes aparelhos o recorde feminino de velocidade em circuito fechado de 1000 Km, proeza repetida mais tarde em Junho desse mesmo ano.
Desde o início das negociações que a PanAm teve influência no processo de concepção do Mystère, não só no facto da imposição dos motores General Electric em detrimento dos Pratt & Whitney que equipavam o primeiro protótipo, como também na mudança da designação da aeronave para Falcon 20 pela qual é reconhecida desde então.
Foram construídas várias versões deste aparelho. Para além dos utilizadores particulares foram adquiridos por muitas Forças Aéreas o que lhes proporcionou o desempenho de várias missões que vão desde o transporte de passageiros e de carga até ao desempenho de missões de guerra electrónica, passando pelo treino de pilotos, vigilância marítima, busca e salvamento, entre outros.
A história dos Falcon ao serviço da Força Aérea Portuguesa está intimamente ligada à da Esquadra que os opera. Os primeiros aparelhos, três Falcon 20 DC, foram adquiridos em Setembro de 1984 à empresa transportadora Federal Express (FedEx), tendo sido convertidos em aviões de transporte de passageiros pela Falcon Jet Corp. nos Estados Unidos da América antes de enviados para Portugal. Estes aparelhos foram atribuídos à Esquadra de Transporte 504 - Linces.
A Esquadra 504 surge a 12 de Janeiro de 1985, data em que chegaram os dois primeiros aparelhos Falcon 20, nº8101 e nº8102 (o terceiro, nº8103, chegou a 24 de Março desse mesmo ano), estando inicialmente estacionada na Base Aérea 6 (BA 6), Montijo. Posteriormente, por razões operacionais, constituiu um destacamento permanente no Aeródromo de Transito 1 (AT 1), junto ao Aeroporto Internacional de Lisboa, Portela, onde se encontra desde então.
De forma diferente das restantes aeronaves operadas pela FAP, os Falcon são utilizados em missões de carácter civil. Os três primeiros aparelhos foram utilizados em missões de Transporte Especial - TESP (transporte de individualidades, evacuações de doentes ou feridos, transporte de órgãos para transplante) e transporte aéreo geral que constituem, ainda hoje, a missão primária atribuída à Esq. 504. O terceiro Falcon 20 voltou aos EUA em Junho de 85 onde recebeu o equipamento necessário ao desempenho da missão de Verificação e Calibração de Ajudas Rádio - VCAN, desde então a missão secundária da 504, tendo regressado a 02 de Novembro desse ano. Esta missão teve início no dia 28 de Novembro 85 na então Base Aérea 3 - Tancos.
Em 1989 foram adquiridos na França os dois primeiros Falcon 50, aos quais se viria a juntar um terceiro em 1991. Em 1993 os dois primeiros Falcon 20 foram vendidos para o Canadá, dado que já não se justificava a sua presença em termos operacionais ao serviço após a chegada dos novos aparelhos e pelo facto de estarem dotados com porta de carga pouco apropriada numa configuração de transporte de passageiros. O Falcon 20 nº17103 acabou por ser retirado ao serviço pouco mais de uma década depois, significando também a interrupção das missões VCAN por parte da 504. Fez o último voo operacional em 19 de Setembro de 2004, ano em que foi abatido ao serviço. Em 20 anos ao serviço da FAP, os Dassault-Breguet Falcon 20 totalizaram 16.990 horas de voo. Este é o único aparelho da frota ainda em Portugal, encontrando-se devidamente preservado e exposto ao público no Museu do Ar na Granja do Marquês, BA 1, Sintra.

Bibliografia:
Ferreira, Rui Esquadra 504 Linces. Mais Alto Nov/Dez 2000
Cardoso, Adelino, Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX. Essencial, Junho 2000
Lopes, Mário Canongia Os Aviões da Cruz de Cristo. Dinalivro, Janeiro 2001
Mystère-Falcon 20  Conservatoire de l'Air et de l'Espace d'Aquitainep



RELAÇÃO DOS FALCON 20 EM PORTUGAL


Modelo SN Ano Chegada Nº FedEx Nº FAP Observações
Falcon 20 DC 211 1969 12/01/1985 N30FE 8101 - 17101 Vendido em 1993
Falcon 20 DC 215 1969 12/01/1985 N34FE 8102 - 17102 Vendido em 1993
Falcon 20 DC 217 1969 24/03/1985 N35FE 8103 - 17103 Exposto no Museu do Ar, Sintra.


PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS


Motor:
2 Turbofan GE CF700-2D2 com potência total de 37.9 KN
Comprimento:
17.2 m Velocidade máx:
Mach 0.82
Envergadura:
15.4 m Velocid. de cruzeiro:
Mach 0.72
Altura:
5.3 m Vel. máx (nível do mar):
650 Km/h
Diâmetro fuselagem:
2.03 m Vel. máx (cruzeiro):
862 Km/h
Peso básico:
8254 Kg Tecto de serviço:
12802 m
Peso máx descolagem:
13000 Kg Cap. de combustível:
8410 lbs
Peso max aterragem:
12392 Kg Autonomia:
4650 Km
Carga:
1265 Kg Passageiros:
6

CORES E ESQUEMAS DE PINTURA


São dois os esquemas de pintura aplicados aos Falcon 20 na FAP. No geral estas aeronaves apresentam uma pintura em branco (FS 17875) com uma faixa azul (FS 15102). A Cruz de Cristo aparece no extradorso da asa de bombordo e no intradorso da asa de estibordo alternando com o número de matrícula a preto (FS 17038). A Bandeira Nacional está colocada na deriva encimada com os números de matrícula. Os "slats" do bordo de ataque das asas estão em alumínio (FS 17178).

Esquema A: Esquema aplicado nos Falcon 20 desde a sua chegada até às primeiras revisões nas OGMA. A faixa azul percorre a fuselagem de ponta a ponta não existindo nas carenagens dos motores. A Cruz de Cristo, debruada a preto, aparece sobre a faixa azul entre a 3ª e 4ª janela. O cone do nariz aparece inicialmente pintado de preto tendo sido mais tarde pintado com as cores da fuselagem, mesmo antes da aplicação do segundo esquema.

Esquema B: Esquema aplicado nos Falcon 20 com algumas variações em relação ao anterior. A Cruz de Cristo, agora debruada a azul, passa a estar colocada nas carenagens dos motores. Surge a inscrição "Força Aérea Portuguesa" a azul sobre as janelas da fuselagem e, tal como referido, o nariz já não se apresenta a preto.


FOTO GALERIA


Falcon 20 nº17103, ainda operacional, no AT1




Chegada à BA6 dos 2 primeiros Falcon 20



CURIOSIDADES


BA 6 - Montijo, 12 de Janeiro de 1985. Foto tirada durante a chegada dos dois primeiros Falcon 20 DC. Tal como evidenciado, estes aparelhos ainda apresentavam a matrícula da Federal Express. Este aparelho viria a ser entregue à recém criada Esquadra 504 e a receber o número FAP 8102. Em 1993 seria um dos dois a ser vendido por razões de natureza operacional. Como curiosidade refira-se que a estes aparelhos foram atribuídos os nomes Marianne, Kelly e Melany aquando do tempo de serviço na FedEx.

Esta foto, tirada quando o 17103 aguardava transferência do AT 1 para o Museu do Ar, onde actualmente se encontra, evidencia uma das principais características destas aeronaves. Por sinal, uma das que relegou para segundo plano a sua utilização como transporte de altas individualidades é, hoje em dia, uma das que poderia trazer aos Falcon 50 uma maior capacidade e facilidade no embarque de macas. Ao fundo o espaço que anteriormente albergava a consola do equipamento VCAN.


MAIS FALCON 20:

Walkarounds-CCADF: Falcon 20
Walkarounds-Patches: Esquadra 504 - Linces
Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Falcon_20

COLABORARAM PARA O CONTEÚDO DESTA PÁGINA:

Rui Ferreira, Carlos Gromicho, Fernando Moreira, Esquadra 504-Linces

Deixe o seu comentario

Ajude-nos a melhorar este trabalho. Participe!

Related Posts with Thumbnails