
Ao todo foram construídas mais de 17000 unidades, nas suas várias versões, não só pela North American Aviation como também por outras companhias fora dos Estados Unidos que as produziram sob licença.
Decorria o ano de 1934 quando o Exército Norte Americano lançou um concurso para a aquisição de um avião de treino básico. A North American entrou na corrida com o que viria a ser o primeiro de muitos, o protótipo NA-16. Este realizou o primeiro voo a 1 de Abril de 1935 e, mais tarde ainda nesse mês, foi confirmado como vencedor.
O primeiro de uma série inicial de 42 unidades da primeira versão a sair das linhas de produção, o BT-9, derivado de um segundo protótipo e com algumas modificações impostas pelo USAAC (Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos), efectuou o primeiro voo a 15 de Abril de 1936, sensivelmente um ano após a apresentação do primeiro protótipo.
Nos Estados Unidos também a Marinha (desde as primeiras séries de produção) e a Força Aérea, após a sua formação, viriam a ser equipadas com os T-6, para um período operacional que terminaria em 1958.
Ao longo da sua produção, várias foram as modificações introduzidas devidas a novas exigências operacionais e vários foram também os melhoramentos operados, o que se reflectiu no número de diferentes modelos existentes como os BT-9, AT-6, AT-6A, AT-6E, T-6G, mencionando apenas alguns.
Foi durante o período da Segunda Grande Guerra que se registou a maior cadência na produção destes aparelhos. Vários foram os países aliados (como a França, Grã-Bretanha, Canadá ou Austrália) que utilizaram o T-6 para suprimir as suas crescentes necessidades de instrução de pilotos. No entanto, findo o conflito, o leque de países a operar os T-6 viria ainda a ser alargado.
Embora desenhado como um avião de treino (básico e avançado), o T-6 desempenhou inúmeras outras missões tais como combate aéreo, ataque ao solo, intercepção, reconhecimento, etc. Assim, terá servido em mais de meia centena de forças armadas desde os Estados Unidos passando por países da América Latina, Europa, Ásia e África, tendo sido empregues em muitos outros conflitos, passando pelas Guerras da Coreia, do Vietname, entre outros, até a uma última utilização, pelos espanhóis em 1975, contra guerrilheiros que lutavam pela independência do antigo Saara espanhol.
Mesmo actualmente, após mais de seis décadas desde a primeira apresentação, muitos são ainda os que se encontram em estado de voo, como prova do lugar de destaque que este aparelho adquiriu no mundo da Aviação, não só militar como também civil, e ajudando a manter viva a sua própria História.
Após a Segunda Guerra Mundial, e na sequência do programa de restruturação das Forças Armadas Portuguesas, os primeiros T-6 chegam a Portugal a partir de 1947, para emprego na instrução de pilotos da Aeronáutica Militar (AM). Em 1951 voltam a ser adquiridos mais aparelhos, de origem norte americana, ao abrigo do programa MDAP (Military Defence Assistance Pact) para se juntarem aos restantes, na Base Aérea 1 (BA 1) em Sintra.
A Aviação Naval (AN) adquire, nesse mesmo ano e também para a instrução de pilotos, alguns destes aparelhos que viriam a ser colocados no Centro de Aviação Naval (CAN) de S. Jacinto em Aveiro.
Com a unificação da AM e da AN nos primeiros anos da década de 50, os aparelhos até então em condições operacionais transitaram para a recém formada Força Aérea Portuguesa, continuando o seu papel de avião de instrução. O seu número viria, já em 1956, a ser alargado com a aquisição de mais um lote de aparelhos.
Nos finais da década foi realizada nas OGMA uma uniformização das características das versões de T-6 existentes para os padrões dos T-6G.
Na época outros acontecimentos iriam desencadear uma mudança no papel até então atribuído a estes aparelhos. As hostilidades nos territórios ultramarinos subiam de tom e a FAP, impossibilitada de combater com meios eficazes devido ao embargo imposto a Portugal, viu-se forçada a utilizar material obsoleto ou inadequado ao tipo de missão.
Na sequência o avião de escola converteu-se em avião de combate. No entanto, apesar do seu contributo para o esforço de guerra, era lento e vulnerável ao fogo antiaéreo, e o seu ruído fazia com que fosse detectado ao longe. Além disso também apresentava problemas quando totalmente armado.
Utilizados em missões de reconhecimento armado, apoio próximo e ataque localizado, os T-6 foram operados em praticamente todos os territórios ultramarinos, tendo sido colocados em várias unidades em Angola, Guiné e Moçambique.
As necessidades crescentes na sua utilização levariam à aquisição de mais aparelhos a países como a França, Alemanha ou África do Sul, elevando o número total destes aparelhos operados em Portugal a mais de duas dezenas e meia.
Findo os conflitos o T-6 retomou a sua missão de instrução de pilotos. No entanto viria ainda a ser utilizado numa última acção bélica quando alguns foram utilizados no ataque ao Regimento de Artilharia 1 (RAL1/RALIS) no dia 11 de Março de 1975, durante uma tentativa falhada de golpe de Estado.
Após sensivelmente três décadas ao serviço em Portugal, o T-6 foi retirado em 1978. Várias foram as fontes de aquisição mas também vários foram os países que compraram alguns destes aparelhos. Estes encontraram novos proprietários em Inglaterra, Noruega, África do Sul e também nos Estados Unidos, o seu país de origem.
Bibliografia:
Davis, Larry T-6 Texan in action. Squadron/Signal Publications, 1989
Mondey, David American Aircraft of World War II. Hamlyn/Aerospace Publishing, 1982
Cardoso, Adelino; Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX. Essencial, Junho 2000
Moreira, Fernando O T-6 em Portugal. Take-Off, Junho 2001
Caruana, Richard J Harvards of the Cross of Christ, The T-6 in Portuguese Service. Scale Aviation Modeller
História do T-6. Aero Fénix
O 11 DE MARÇO DE 1975
Esclarecimentos quanto ao papel desempenhado pelos T-6

Nesse dia estiveram envolvidas seis parelhas de T-6. Quatro dessas parelhas estavam armadas e duas desarmadas. Dado que as descolagens foram diferidas no tempo, alguns aviões voaram mais do que uma vez. Nas parelhas que voaram desarmadas foram utilizados aviões e pilotos da BA 7, os quais se encontravam em Tancos na situação de diligencia. Os aviões armados provinham da BA 3, assim como os seus pilotos. No ataque ao RAL1 apenas a primeira parelha esteve envolvida, pois foi a única a fazer fogo. Todas as outras parelhas apenas sobrevoaram os objectivos, pois a sua missão era proteger a progressão das tropas no terreno, e não o ataque directo. Segundo as ordens recebidas, a primeira parelha faria fogo sobre o RAL1, com a intenção de desorganizar a defesa e permitir o assalto das tropas heli-transportadas. Todas as outras protegeriam as tropas e só disparariam em caso de serem atacadas.
RELAÇÃO DOS T-6 EM PORTUGAL
| Ano | Qtd | Tipo | Origem | Serviço |
| 1947 | 22 | AT-6A | Estados Unidos (USAAF) | AM/FAP (20) |
| 1947 | 5 | AT-6B | Estados Unidos (USAAF) | AM/FAP |
| 1947 | 1 | AT-6C | Estados Unidos (USAAF) | AM/FAP |
| 1950 | 8 | SNJ-4 (AT-6C) | Estados Unidos (USNAVY) | AN/FAP |
| 1951 | 20 | T-6G | Estados Unidos (MDAP) | AM/FAP |
| 1956 | 15 | Harvard Mk III (AT-6D) | Inglaterra (Fleet Air Arm) | FAP |
| 1961 | 46 | T-6G | França (Armée de L'Air) | FAP |
| 1962 | 10 | T-6G | França (Armée de L'Air) | FAP |
| 1964 | 65 | Harvard Mk IV (T-6J) | Alemanha (Luftwaffe) | FAP |
| 1965 | 1 | AT-6A | Alemanha | FAP |
| 2 | AT-6F | Alemanha | FAP | |
| 2 | Harvard Mk IIB (AT-16) | Alemanha | FAP | |
| 1969 | 42 | Harvard Mk IIA (AT-6C) | África do Sul (SAAF) | FAP |
| 1969 | 18 | Harvard Mk III (AT-6D) | África do Sul (SAAF) | FAP |
| Total: | 257 |
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Para a versão T-6G
| Motor: | ||||||
| Pratt & Whitney Wasp R-1340-AN-1 tipo Radial de 550 hp | ||||||
| Comprimento: | 8.99 m | Tecto de serviço: | 7338 m | |||
| Envergadura: | 12.80 m | Razão de subida: | 500 m/min | |||
| Altura: | 3.58 m | Velocidade máxima: | 340 Km/h | |||
| Peso vazio: | 1938 Kg | Raio de acção: | 1400 Km | |||
| Peso máx equipado: | 2546 Kg | Superfície alar: | 23.57 m2 | |||
MODIFICAÇÕES REALIZADAS NAS OGMA
Com a extinção da AM e da AN e consequente unificação dos meios aéreos na recentemente formada FAP foi operada nas OGMA, nos finais dos anos 50, uma uniformização das características das versões de T-6 existentes para os padrões do T-6G. Assim os T-6G originais passaram a ser referidos por "puros" e os modificados por "transformados". Várias foram as modificações introduzidas:
Durante o tempo ao serviço outras foram as modificações introduzidas em alguns aparelhos tais como a remoção do spinner da hélice e a remoção das portas do trem de aterragem.

ARMAMENTO UTILIZADO
Os SNJ-4 adquiridos em 1950 pela AN vinham armados com uma metralhadora de 7.7 mm na parte superior dianteira da fuselagem como era típico em todos os aparelhos das versões AT-6/SNJ. Mais tarde o sistema de armas padrão dos aparelhos a operar nos territórios ultramarinos seria o seguinte:
| Interno: | 2 Ninhos Matra 181 18 foguetes SNEB T/447 37 mm | |
| Nenhum armamento interno | 2 Bombas GP (general purpose) M1-62 de 50 Kg | |
| Suspenso nas asas: | 2 Bombas Napalm de 100 l/80 Kg | |
| 2 Ninhos de 2 Metralhadoras MAC AA-52 de 7.62 mm com 300 munições cada. Mais tarde Browning 7.7 mm 2 Ninhos Matra 361 36 foguetes SNEB T/447 37 mm |
6 Bombas de fumo (p/treino) de 25 Lbs 6 Bombas antipessoal M/62 de 15 Kg 2 Lançadores de 24 Granadas de mão |
As Metralhadoras francesas MAC-Manufactures D' Armes de Chatellerault eram originalmente de calibre 7.5 mm, munições de 1929 que a França dispunha em grandes quantidades. Só mais tarde estas metralhadoras foram modificadas para o calibre 7.62 mm.
No início dos conflitos utilizaram-se temporariamente ninhos Matra 122 com foguetes SNEB de 68 mm. Os aparelhos de ataque ao solo estavam ainda equipados com o visor de tiro SFOM, tipo 83 A3.

SOBRE OS T-6 ARMADOS
Extracto da obra "Bordo de Ataque" de Brig. José Cruz Abecacis, Coimbra Editora, 1985
"(...) No dia 8 de Dezembro (de 1961) descolaram de Alverca para Oran,(1) na Argélia, 3 aviões "DC-6A", cargueiros, em missão especial de carácter reservado. (...)
(...) receberam os nossos 3 aviões (...) toda a palamenta (2) necessária ao funcionamento do sistema de tiro e bombardeamento dos aviões "Harvard T-6G", cedidos pela França. (...)
(...) Nos últimos meses deste ano algumas formações destes aviões voaram, com a maior discrição, da Argélia para Alverca e, também, de Ponta Negra, na República do Congo-Brazaville, para o Aeródromo-Base do Negage, em Angola. Tanto na sede das Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, em Alverca, como na sua delegação, em Luanda e no próprio Negage eram revistos, aprontados e pintados com as insígnias portuguesas. (...) Aparecia na Força Aérea um modelo diferenciado do "T-6G": o "T-6 Armado" ou "Argelino", dispondo de metralhadoras "Browning", porta-bombas e ninhos de foguetes, em aplicações sob as asas.
Conjugando características de manobra com estabilidade aerodinâmica, constituía uma boa plataforma de fogo, embora com sacrifício das suas performances, por aumento significativo da velocidade de perda. Para os pilotos habituados ao "Harvard T-6G" de treino básico era notória a diminuição da margem de segurança. (...)"
(1) - Oran era uma base utilizada pela França como depósito de material aéreo.
(2) - Conjunto de acessórios e sobressalentes, além de cunhetes de munições. (Nota do Autor)
CORES E ESQUEMAS DE PINTURA
Entre esquemas oficiais e outros oficiosos várias foram as pinturas apresentadas pelos T-6 portugueses. Na origem deste dado estão circunstâncias como o facto dos T-6 terem estado ao serviço de três ramos das Forças Armadas Portuguesas tendo inclusive passado pelo período de criação da Força Aérea, a diversidade dos países de proveniência e também a sua vasta utilização nos conflitos ultramarinos. Tal também se reflecte na diversidade de interpretações desses mesmos esquemas nos dias de hoje. Refira-se ainda que nunca foi adoptada nenhuma designação oficial para os diversos esquemas e que a aqui apresentada serve apenas como referência.
AERONÁUTICA MILITAR
Esquema 1: Esquema de acordo com o padrão utilizado na época nos aviões de instrução. Asas em amarelo, fuselagem e planos de cauda em azul escuro. Algumas fontes referem que os planos de cauda de alguns aparelhos estariam pintados de amarelo, embora este dado necessite confirmação. A Cruz de Cristo, sobre círculo branco, estava colocada no intradorso e extradorso das asas, nas quatro posições. A Bandeira Nacional, com Escudo, estava colocada em ambos os lados da deriva e o número de matrícula, a branco, em ambos os lados da fuselagem entre a cabina e a cauda.



AVIAÇÃO NAVAL
Esquema 1: As aeronaves apresentavam-se quase totalmente em tons de cinzento alumínio. A Cruz de Cristo apresentava-se, sem fundo branco, no extradorso da asa esquerda e no intradorso da asa direita. Apresentavam o leme de direcção pintado a toda a altura com as cores nacionais, sem o escudo. A matrícula, em preto, estava colocada em ambos os lados da fuselagem abaixo do pára-brisas. Enquanto colocados em S. Jacinto-Aveiro apresentavam o símbolo da Base (uma Andorinha preta) pintada nos dois lados a meia fuselagem sob a parte central da cabina.


FORÇA AÉREA
Esquema 1: A FAP recebeu, aquando da sua formação, T-6 da AM e da AN. Aquando da padronização das características técnicas nas OGMA foi também realizada a uniformização das pinturas. Em relação ao esquema de pintura adoptado pela AM (Esquema 3), foi adicionada uma fina faixa amarela vertical em ambos os lados da fuselagem em frente da cabina, na qual se pintava um rectângulo vermelho no caso do aparelho ter sido modificado.





OUTROS ESQUEMAS - VARIAÇÕES
Em 1951 a AM recebeu dos EUA, ao abrigo do programa MDAP (Mutual Defence and Assistance Pact) aeronaves totalmente pintadas de amarelo, à excepção do painel anti-reflexo em frente da cabina, pintado de preto. Foram-lhes aplicadas as insígnias e as matrículas nacionais de acordo com a norma em vigor, descrita no Esquema 3 deste ramo. Mais tarde, em 1956, a FAP recebeu aparelhos provenientes de Inglaterra, construídos no Canadá, também totalmente pintados de amarelo. Durante algum tempo ostentaram esta pintura, assim como a matrícula britânica em conjunto com a da FAP até serem convertidos nas OGMA.



Na BA 12 em Bissalanca-Guiné alguns T-6 apresentaram de início uma boca de tigre pintada no cowling e parte da fuselagem adjacente até à zona abaixo do pára-brisas. Apresentavam o esquema de pintura base referido acima como Esquema 3 (FAP).






FOTO GALERIA
Harvard Mk.IV nº1769 do Museu do Ar
Harvard Mk.IV nº1774 do Museu do Ar
Aeronave destruída em acidente a 18/05/2003
Harvard Mk.IV nº1774 do Museu do Ar com pintura Tigre
Pintura apresentada no NATO Tiger Meet 1996 na BA 6, Montijo
Harvard Mk.IV nº1769 com pintura comemorativa do 50º Aniversário da FAP
Pintura apresentada no NATO Tiger Meet 2002 na BA 11, Beja
T-6 com pintura utilizada na BA 12 Bissalanca-Guiné, nº"1675"
Pintura aplicada ao Harvard Mk.IV nº1774, apresentada na ExpoFAP, FIL, 50º Aniversário FAP
Outras fotos do T-6
CURIOSIDADES
Na secção Armamento Utilizado apresentam-se três fotos do Visor de Tiro (ou colimador) instalado sobre o painel de instrumentos da posição do piloto. O visor SFOM (Société Française d´Optique et de Mécanique) visível nesta foto na sua correcta posição colocava, contudo, algumas dificuldades aos pilotos nos seus primeiros contactos. Alguns terão chegado a queixar-se que o "aparelho" lhes tirava visibilidade. Talvez por isso muitos tenham utilizado como sistema de pontaria referências que criavam nas asas e no anel do motor.

MAIS NORTH AMERICAN T-6:
Walkarounds-CCADF: North American T-6
Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/North_American_T-6_Texan
Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/North_American_T-6_Texan
COLABORARAM PARA O CONTEÚDO DESTA PÁGINA:
Rui Alves; Paulo Bandeira; Carlos Brito; Orlando Dias Coelho; José Manuel Correia;
Rui Domingues; Rui Ferreira; Carlos Gomes; Pedro Gomes; J. Munkelt Gonçalves;
Ricardo Mesquita; Fernando Moreira; Carlos Oliveira; João Pereira; Ribeiro da Silva;
José Sousa; Especialistas BA 12
Rui Domingues; Rui Ferreira; Carlos Gomes; Pedro Gomes; J. Munkelt Gonçalves;
Ricardo Mesquita; Fernando Moreira; Carlos Oliveira; João Pereira; Ribeiro da Silva;
José Sousa; Especialistas BA 12










































































































































































